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COLUNISTAS
Crisiane Venson - fonocrisvensonbacha@gmail.com
Baby Blues: o que é e como você pode ajudar a recém mamãe!
Leia novo artigo da fonoaudióloga Crisiane Venson
3 anos atrás
Baby blues ou blues puerperal é o termo utilizado para nomear sensações de tristeza, frequentemente experimentadas por mulheres no período pós-parto. Cerca de 80% das novas mães, tanto as de “primeira viagem” quanto aquelas que já passaram por outras gestações, estão sujeitas a enfrentar esse problema. Embora desagradável, a situação é normal. E assim deve ser interpretada. Sem maiores preocupações.
É importante enfatizar: baby blues não é sinônimo de depressão pós-parto! A depressão pós-parto consiste numa condição psicológica grave, cujos sintomas se prolongam por meses ou anos caso não seja realizado tratamento. Já o baby blues é um estado passageiro, ocasionado pelas repentinas mudanças hormonais, privação de sono e demais situações estressantes, típicas da nova rotina. Ou seja, enquanto a depressão exige cuidados médicos, o baby blues será contornado em poucos dias, sem necessidade de intervenção profissional.
Contudo, se você convive ou passará a conviver com uma mãe recente, saiba que suas atitudes podem ajudá-la a lidar com a “montanha-russa” emocional do puerpério. Disposto a colaborar? Então siga essas dicas! Este acolhimento e ajuda a recém mamãe fará toda a diferença!
1. Saiba reconhecer as causas e sintomas do baby blues
Convenhamos, pouco se fala sobre aspectos da maternidade que não se encaixam num cenário idealizado, onde tudo é alegria. Por conta disso, quando amigos e família notam que a nova mãe “não parece feliz” com o nascimento do bebê, acabam criando interpretações completamente equivocadas.
O primeiro ponto que devemos ter em mente, para afastar juízos apressados, é que a mulher sofre uma alteração hormonal intensa no puerpério. Os níveis de estrogênio, por exemplo, caem mais de 100 vezes nos 3 dias após o parto. Agora, some ao efeito dos hormônios fatores como o cansaço gerado pelo parto, a preocupação em cuidar bem do bebê, poucas horas de sono, necessidade de adaptação a um novo corpo e a uma nova rotina. Isso sem falar no impacto das constantes visitas, que acentuam o clima de estresse ao proferir seus múltiplos e contraditórios palpites sobre cuidados com o recém-nascido.
Quando consideramos esse quadro, podemos concluir que é perfeitamente natural que novas mães apresentem comportamentos como:
- mau humor;
- irritabilidade;
- impaciência;
- crises de choro;
- melancolia;
- ansiedade;
- fadiga;
- desânimo;
- dificuldades para dormir;
- sentimento de culpa (por não estar radiante com a chegada do bebê);
- insegurança.
Seu papel, ao estar ciente de quais são as causas e sintomas do baby blues, é repercutir essas informações. Tanto para a mãe quanto para demais pessoas próximas a ela. Atue de modo a suavizar as preocupações desnecessárias. Lembre a todos que a maioria das mulheres passa por essa fase. E que, em torno de 10 a 15 dias, os sinais do baby blues devem desaparecer.
2. Proponha formas de ajuda prática
Não basta dizer “conte comigo para o que precisar”. É necessário ser mais objetivo. Observe pontos onde sua colaboração pode facilitar o dia a dia da mãe recém-nascida.
Por exemplo, prontifique-se a:
- lavar roupas;
- preparar refeições;
- tomar conta do bebê enquanto ela tira um cochilo;
- cuidar das crianças mais velhas, caso ela tenha outros filhos;
- fazer compras de farmácia e supermercado.
Não subestime o valor de coisas simples, como arrumar a cama. Qualquer coisa que você possa fazer alivia a sensação de sobrecarga e mostra que você, de fato, está disposto a ajudar. Apenas tenha cuidado para não ser invasivo! Na dúvida, pergunte antes de fazer.
3. Seja um bom ouvinte
Adote uma audição empática. Faça com que a mãe se sinta confortável para desabafar suas emoções, sem se sentir julgada. Nem todos os médicos deixam claro a possível experiência do baby blues. Caso note que ela tem poucas orientações sobre essa fase, sugira algumas leituras que a ajudarão a se sentir menos aflita (este artigo, por exemplo).
Outra excelente referência é a palestra da psiquiatra Alexandra Sacks, no TED, intitulada “Uma nova forma de pensar sobre a transição para a maternidade”. Trata-se de um vídeo rápido de pouco mais de 6 minutos mas profundamente sensível e revelador. A psiquiatra utiliza o termo matrescência para se referir ao período natural de transformações — e consequentes oscilações de humores — que a mulher sente durante a gravidez e no pós-parto. “Quando um bebê nasce, uma mãe também nasce, cada um em sua instabilidade”, afirma Sacks. Sugira à nova mãe assistirem, juntos, a essa palestra. Depois, pergunte se ela se identifica com a narrativa. Garanta continuidade à conversa. Sempre com o cuidado de ouvir mais do que falar!
4. Ofereça mimos
Não estamos falando de presentes relacionados à maternidade. Esses já costumam ser abundantes. Procure lembrar que, por mais que o bebê assuma o centro das atenções, ele não resume a identidade da mulher. Ou seja, pense além do contexto materno.
Agrade à pessoa com um doce que ela adora — se não houver restrições médicas —, com a oferta de manicure domiciliar, um kit para banho ou uma massagem relaxante — adicionando o bônus de ficar com o bebê enquanto ela aproveita o presente! Enfim, mostre que você não esqueceu que, além de mãe, ela é uma mulher. Com personalidade, preferências e necessidades próprias. Esse carinho fará bem à autoestima, que costuma sofrer com os efeitos do baby blues.
5. Limite visitas
Se você não é o pai da criança ou familiar eleito para ajudar no pós-parto, saiba ter bom senso quanto à sua presença. Médicos e psicólogos sugerem que, nos primeiros dias, o fluxo de visitas seja mínimo, justamente para evitar o estresse da mãe. Você não será indelicado se não aparecer! Mande mensagens e espere o momento apropriado. Também não faça visitas-surpresa. A rotina da nova mãe já é bastante atribulada e você não estará ajudando em nada se tocar a campainha enquanto ela amamenta o bebê ou, finalmente, estiver tirando um cochilo.
6. Seja paciente
As oscilações de humor são naturais no puerpério. Logo, esteja ciente de que, após dias de bom humor, é possível que ocorram momentos de tristeza e irritabilidade. Não pense que seu apoio é ineficiente. Nem leve qualquer atitude intempestiva para o lado pessoal.
7. Mantenha contato
Sua presença é importante. Sem ser inoportuno, mostre que você está disponível para conversas e outras formas de suporte. Lembre-se que o pós-parto não é o único assunto sobre o qual podem falar. Se encontrar um texto bonito, um vídeo engraçado, uma dica de bem-estar interessante, compartilhe!
Pode ser muito difícil para a nova mãe ter tempo e disposição para assistir a um filme ou ler um livro. Mas isso não significa que ela não deva se distrair um pouco — ainda que em doses homeopáticas. Contribua para esses momentos!
8. Facilite o encontro de recursos
Existem grupos no Facebook destinados a trocas de experiências de mães que passam pelo puerpério. Tais comunidades são interessantes, pois oferecem oportunidades de acolhimento e compreensão. Faça uma pesquisa. Localize boas opções e envie o link para acesso. Outra sugestão são os sites e blogs que dialogam sobre a maternidade. Mais do que focar no blues puerperal, eles oferecem referências para as próximas fases. Ou seja, representam um suporte de longo prazo.
Listamos algumas indicações:
- Macetes de Mãe;
- Real Maternidade;
- Meu Filho Nasceu;
- Mil Dicas de Mãe;
- Sobre Maternidade.
9. Fique atento
Da mesma forma que você deve contribuir para que o baby blues seja encarado com naturalidade, precisa reconhecer quando algo parece fora do controle. Caso a tristeza se agrave transcorridas as 2 semanas do puerpério ou sejam percebidos comportamentos potencialmente prejudiciais, a busca por avaliação médica é fundamental.
Incentive a nova mãe a encontrar apoio profissional para lidar melhor com seus sentimentos e, se for o caso, realizar o tratamento recomendado. A terapia é crucial quando a melancolia evolui para quadros de depressão pós-parto. Mas também é benéfica em toda e qualquer experiência de “matrescência” com ou sem baby blues. Afinal, acompanhamento psicológico é, acima de tudo, um cuidado com a saúde!