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AGRICULTURA
‘Valor da uva para safra 2023 deve ficar intermediário entre tabelas do governo e da Uvibra’
Diretor da Zanlorenzi (Vinícola Campo Largo), Mateus Poggere acredita que haverá acordo entre produtores e indústria para definição do valor que será praticado na comercialização da uva
2 anos atrás
O mês de fevereiro inicia com a indefinição do valor mínimo que será praticado na comercialização do quilo de uva da safra 2023. Em 2 de dezembro de 2022, a Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) havia divulgado o preço mínimo de R$ 1,58/kg, determinando um reajuste de 20,61% em relação ao ano de 2022, quando foi definido o valor de R$ 1,31 por quilo da uva. Contudo, no último dia 18 de janeiro, uma tabela alternativa para o pagamento do quilo da uva, assinada pela Uvibra (União Brasileira de Vitivinicultura), após consenso da Agavi (Associação Gaúcha de Vinicultores), propôs R$ 1,40/kg.
A colheita da safra da uva 2023 atrasou em cerca de duas semanas, em virtude da estiagem, iniciando na penúltima semana do mês de janeiro. De acordo com a presidente do Sindicato dos Trabalhadores Agricultores Familiares (STAF) de São Marcos, Sandra Meneguzzo, os agricultores já estão entregando as variedades Bordô, Niágara Rosada e Branca e Isabel precoce às vinícolas, mas ainda não possuem a informação de quanto receberão pelas produções.
‘No momento ainda não há uma certeza dos valores que serão pagos’

Entrevistado pela reportagem do L’Attualità, o diretor industrial da Zanlorenzi Bebidas Ltda (Vinícola Campo Largo), Mateus Poggere, informa que o recebimento de uva das regiões de São Marcos, Flores da Cunha e Campestre da Serra já iniciou nesta semana na fábrica, mas a Zanlorenzi aguarda a definição do valor da uva pelo setor vitivinícola. “Os grandes volumes que estão aqui no miolo da Serra Gaúcha praticamente começaram a chegar essa semana. Mas no momento ainda não há uma certeza dos valores que serão pagos. Existiram rodadas de negociação entre representantes da indústria e dos produtores, moderados por representantes do governo, Ministério da Agricultura e Conab, mas não foi possível um consenso”, comenta Mateus.
‘Precisamos encontrar uma alternativa para permitir a sustentabilidade e a garantia da comercialização para o ano que vem’
Conforme opina, a tabela publicada pela Conab para o pagamento da uva “aparentemente não condiz com a realidade do setor”. “Existe aí uma expectativa de revisão nisso. Até numa conversa com o Sindicato nos foi sinalizado que o pessoal está refazendo o cálculo do custeio da produção da uva, para ver se encontramos um caminho. O entendimento nosso é que setor é composto por uma parcela da indústria e por uma parcela que é a base produtiva, então não existe um ou outro e precisamos desconstruir essa polarização. Eu penso que não faz sentido a indústria sem a uva e nem a uva sem a indústria. E aí nós precisamos encontrar uma alternativa para permitir a sustentabilidade e a garantia da comercialização para o ano que vem”, destaca Mateus Poggere.
‘Garantimos o valor da tabela do ano passado (R$ 1,31/kg) com uma correção dos valores da inflação’
O diretor industrial da Zanlorenzi salienta que a empresa pagará o valor que for definido pelo setor vitivinícola. “O que o setor fizer, nós vamos fazer, porque nós somos parte do setor e não o setor. E eu preciso ter a responsabilidade da comercialização do produto. Então, o que nós estamos falando para o produtor é que garantimos o valor da tabela do ano passado (R$ 1,31/kg) com uma correção dos valores da inflação. Então não há motivo para dizer que estão entregando sem saber. O produtor tem uma garantia de ganho real, sendo que no ano passado ele teve um reajuste na ordem de 20% no valor da uva, e eu desconheço outro setor que conseguiu repassar 20% de um ano para o outro”, assinala Mateus.
Segundo ressalta, a Zanlorenzi historicamente sempre acompanhou os valores pagos pelo setor. “Nunca fomos nós que puxamos preço para baixo, pelo contrário, em várias safras a gente até acabou fazendo ações elevando o preço da uva e nós vamos trabalhar nesse mesmo sentido. Vamos acompanhar a média da maioria”, afirma o diretor da Zanlorenzi.
‘Acredito muito em um valor intermediário das duas tabelas’
Mateus Poggere acredita que a definição do valor da uva para a safra 2023 está próxima e deve ficar em um preço intermediário entre os valores propostos pelas tabelas do governo ($ 1,58/kg) e da Uvibra ($ 1,40/kg). “Eu acredito muito em um valor intermediário das duas tabelas. E ouvindo da boca do próprio sindicato dos produtores que aqui estão, é algo que satisfaz muito a base produtiva e que cabe dentro do aspecto da indústria, então me parece que é um bom termo. Me parece também que devia ter sido feito isso lá no início, quando infelizmente algumas pessoas, representantes dos dois lados, declinaram da construção de um acordo já no valor intermediário”, pontua Mateus Poggere.
24 milhões de quilos de uva recebidos em 2022: ‘pretendemos esse ano chegar num número bem próximo’
Como detalha Mateus Poggere, em 2022 a Zanlorenzi – que possui cerca de 1.200 cadastros ativos de produtores – recebeu em torno de 24 milhões de quilos de uva de 19 municípios, sendo a base fornecedora composta em sua maioria por São Marcos e Criúva. “Pretendemos esse ano chegar num número bem próximo a esse e acreditamos que vamos conseguir chegar por uma composição, devido à ampliação da área produtiva, em função de novos fornecedores. Apesar de uma possível e provável quebra em relação ao ano passado na ordem de 10% dos volumes, devido ao período de chuva no mês de setembro e o clima frio fora de época em outubro e novembro”, revela Mateus Poggere.
Conforme acrescenta, os números do setor apontam uma pequena queda na comercialização de vinhos. “Em todas as principais categorias de vinho de mesa, espumantes, com exceção do suco, que conseguiu se manter o tamanho do mercado. Mas os números específicos aqui da empresa não foram diferentes do setor, então tivemos principalmente em relação aos alcoólicos, vinhos de mesa e espumantes, uma sobra de estoques”, detalha Mateus Poggere.