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    CORONAVíRUS

    Hospital São João Bosco inicia ocupação de 3º andar, destinando 2º andar para atendimento de pacientes com covid-19 e tratamento preventivo de suspeitos: ‘nosso plano B’

    Em São Marcos, Hospital São João Bosco adotou estratégia de internações preventivas, isolando pacientes suspeitos antes do diagnóstico no 2º andar: ‘se a pessoa já apresenta os sintomas, o médico já está internando e iniciando o tratamento’

    1 mês atrás

    Diretor do Hospital São João Bosco, Rogério Soldatelli

Além de adquirir 450 testes rápidos de detecção de coronavírus para testagem em massa de motoristas e ações preventivas de testagem fora da instituição de saúde – tendo como alvo entidades ou empresas que mantenham serviços essenciais – o Hospital São João Bosco também adotou estratégia de internações preventivas para controle da doença em São Marcos, isolando pacientes suspeitos antes da confirmação de diagnóstico de covid-19 através do exame PCR. Desde o início da pandemia, a entidade destinou 26 leitos exclusivamente para o tratamento de pacientes com covid-19, sendo 8 leitos no segundo andar e 18 leitos no terceiro andar. Contudo, o espaço no terceiro pavimento ainda não havia sido utilizado até esta quinta-feira, dia 6 de agosto, quando passou a ser ocupado para internação dos pacientes clínicos, sendo destinado todo o segundo andar do Hospital para atendimento  dos pacientes de covid-19 e tratamento preventivo dos casos suspeitos.

‘Todos em quartos separados, não importa se tem plano de saúde ou é atendido pelo SUS’

Conforme informa a gestora do HSJB, Aline Brochetto, o Hospital São João Bosco conta nesta sexta-feira (7) com 9 pacientes de covid-19 internados no segundo andar, sendo 5 suspeitos e 4 diagnosticados. “Temos 5 pacientes em isolamento por serem suspeitos, aguardando resultado dos exames e já internados para começarem a receber a medicação. Se a pessoa já apresenta os sintomas, antes do resultado do exame PCR, o médico já está internando e iniciando o tratamento, de forma preventiva. É uma iniciativa de prudência para não agravar, não evoluir mais, caso seja um caso positivo. Então são 5 pessoas, todas em quartos separados, não importa se tem plano de saúde ou é atendido pelo SUS. Cada suspeito está num quarto e já começamos a subir para o 3º andar”, revela Aline.

O diretor do Hospital São João Bosco, Rogério Soldatelli, destaca que isolar o terceiro andar para internação de pacientes clínicos, destinando o segundo andar para pacientes com covid-19 ou suspeitos é o “plano B” da instituição. “Nosso plano B foi acionado, foi plantado um ‘novo quartel’, um ‘novo pelotão de ataque’. É a primeira vez que o Hospital está ativando esse plano, já tomamos a iniciativa, não íamos deixar para a última hora. O terceiro andar já está sendo utilizado”, assinala Rogério Soldatelli. Até esta sexta-feira, dia 7 de agosto, o Hospital São João Bosco já atendeu 25 casos positivos de covid-19 em São Marcos, sendo que 4 estão internados no momento e houveram 4 altas hospitalares desde o dia 1º de agosto. “25 pessoas com covid-19 já internaram no Hospital nos últimos meses e tivemos apenas dois pacientes transferidos para Caxias do Sul”, detalha Aline Brochetto.

Paciente recuperado de covid-19 esteve internado por duas semanas no HSJB: ‘O que faz a diferença no tratamento é a agilidade’

Raphael Vanelli recebeu alta do Hospital São João Bosco no último dia 3 de agosto

Paciente diagnosticado com covid-19 e internado no Hospital São João Bosco desde 20 de julho, o são-marquense Raphael Vanelli, 42 anos, recebeu alta hospitalar no último dia 3 de agosto. Proprietário da J Vanelli & Cia Velas e Ceras, ele acredita que tenha sido contaminado pela covid-19 quando viajou a trabalho até o município de Garibaldi. “Eu fui a Garibaldi fazer uma descarga, atender os meus clientes, e tinha muita movimentação. Garibaldi é uma cidade em que a curva do coronavírus só está crescendo e eu já fui lá descarregar com uma sensação ruim. Isso foi numa sexta-feira. Voltei para casa e, no domingo à tarde, eu senti que estava com febre. Na segunda-feira de manhã não fui trabalhar, porque pensei ‘se eu estou com algum sintoma, não quero passar para ninguém da minha empresa’. Eu fui para o Hospital, o Dr. Gilberto Moschetta me falou para fazer exame de sangue, fiz no laboratório e deu resultado negativo (para covid-19). Eu até pensei que era uma infecção urinária. Tive dores no pulmão e no rim”, relata Raphael Vanelli.

Medicação foi determinante: ‘Foi como tirar a doença com a mão’

Conforme conta, após continuar com sintomas durante a semana, voltou ao Hospital São João Bosco e realizou tomografia que identificou pneumonia. “Fiz uma tomografia, que indicou a questão da pneumonia, e, no momento em que o médico bateu os olhos, disse ‘daqui do Hospital tu não sai’. Aí já fiquei internado e fiz o teste PCR, que deu positivo”, narra Raphael Vanelli. Ele destaca que a medicação recebida no Hospital São João Bosco foi determinante na sua recuperação. “Eu passei dias horríveis com febre, minha capacidade pulmonar foi para 82%, já tinha perdido 18%, e não tinha mais força para nada. A hidroxicloroquina foi um fator determinante, juntamente com o antibiótico meropenem e mais a azitromicina. Foi como tirar a doença com a mão”, assinala Raphael.

‘Uma dedicação absurda e descomunal’

Ele destaca o atendimento recebido no Hospital São João Bosco durante as duas semanas em que esteve internado. “Só tenho mil maravilhas a falar sobre o Hospital. Nós temos um Hospital hoje de primeiro mundo, um ‘Albert Einstein’ aqui na Serra gaúcha. As enfermeiras foram espetaculares. O meu médico foi o Gilberto Moschetta, que teve acompanhamento também do Dr. Roberto Pessini. Todos os dias ele acompanhava o meu tratamento, com uma dedicação absurda e descomunal. Recebi um atendimento excepcional dos dois”, exalta Raphael. Recuperado da covid-19, Raphael acredita que São Marcos deveria contar com uma junta médica para o enfrentamento da pandemia. “Eu acho que a Secretaria de Saúde deveria se unir ao Hospital e fazer uma reunião, juntar todos os médicos, todos os profissionais, para determinarem um foco e objetivo para tratamento. Verem qual que é a decisão a ser tomada, para todos irem no mesmo rumo. Se está com princípio de covid, se está com algum sintoma, qual é o procedimento padrão para todo mundo. O que faz a diferença no tratamento é a agilidade”, observa.